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	<title>Ciencialist &#187; Convidados</title>
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	<description>Lista de discussão sobre ciência - Página de apoio</description>
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		<title>Extinção da megafauna &#8211; Mário de vivo</title>
		<link>http://www.ciencialist.com/2007/02/megafauna-vivo/</link>
		<comments>http://www.ciencialist.com/2007/02/megafauna-vivo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Feb 2007 12:46:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Convidados]]></category>

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		<description><![CDATA[Extinção da megafauna sul-americana 1)Roberto Takata perguntou: &#8221; No jornal se disse q. nao teria animais de grande porte atualmente porq. havia pouco espaco aberto &#8212; o cerrado aumentou de area nos ultimos 5.000 anos?&#8221; 2)Luis Brudna perguntou: Levando com consideracao a existencia de elefantes em areas de mata fechada. Os representantes dessa megafauna eram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Extinção           da megafauna sul-americana</font></strong></p>
<p align="left">
<font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1)Roberto Takata perguntou:<br />
&#8221; No jornal se disse q. nao teria animais de           grande porte atualmente<br />
porq. havia pouco espaco aberto &#8212; o cerrado aumentou de area nos<br />
ultimos 5.000 anos?&#8221;</p>
<p>2)Luis Brudna perguntou:<br />
Levando com consideracao a existencia de elefantes em areas de mata<br />
fechada. Os representantes dessa megafauna eram maiores que esses<br />
elefantes?</p>
<p>3)Roberto Takata perguntou:<br />
Na América do Sul não havia na fauna espécies           de tamanho intermediário<br />
que conseguissem explorar as clareiras no cerradão? Não           se formou<br />
nenhum ambiente que pudesse servir de refúgio?</p>
<p>4)Luis Brudna perguntou:<br />
Em algumas oportunidades jah li informacoes de que megafaunas em<br />
outras regioes foram extintas pela influencia de seres humanos. As<br />
teorias se sobrepoem ou sao incompativeis?</p>
<p>5)Luis Brudna perguntou:<br />
Em qual revista foi publicado o trabalho principal           sobre extinção           da<br />
megafauna su-americana?<br />
Outros autores propuseram teorias semelhantes para outras regiões           do<br />
planeta?</p>
<p>6)Roberto Takata perguntou:<br />
Em sendo correto o modelo proposto, existe alguma           implicação           direta<br />
na direção das políticas ambientais &#8212; sobretudo           os concernentes à<br />
emissão dos chamados gases-estufa &#8212; (por exemplo, uma melhor<br />
modelagem matemática e, conseqüentemente, uma previsão           mais<br />
confiável dos modelos de alterações climáticas           globais e locais)? Ou<br />
serviria apenas como um alerta genérico para a questão           das<br />
alterações climáticas q. aparentemente estamos           vivenciando?</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Que             tipo de teste independente poderíamos propor para corroborar           (ou<br />
não) o modelo de extinção da megafauna sul-americana?           (Foi feita uma<br />
correlação entre a composição faunística           e florística em cada<br />
localidade ao longo do tempo?)</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">          </font></p>
<p align="left"> =-=-=-=-</p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="http://web.archive.org/web/20040923220811/http://web.archive.org/web/20040923220811/http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm" name="resp1" _base_href="http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm"></a>1)Resposta             de Mário de Vivo:<br />
Não necessariamente.           Podemos ver o cerrado (ou qualquer outro tipo de<br />
vegetação) de dois modos diferentes. O primeiro é a           flora, isto é a<br />
lista das espécies vegetais que são características           do cerrado. O<br />
outro modo de &#8220;ver&#8221; o cerrado é a sua fisionomia,           isto é, o cerrado<br />
pode ser mais ou menos &#8220;aberto&#8221;. No modelo publicado por           mim e pela<br />
Ana Paula Carmignotto nós propomos que não deve ter ocorrido           nenhuma<br />
mudança substancial na área ocupada pelo cerrado ou em           sua flora, mas<br />
apenas que no meio do Holoceno (algo entre 8000 e 3000 anos atrás)           o<br />
cerrado se apresentava mais denso. Pra nós isso significa que           as<br />
á           rvores do cerrado estavam mais próximas entre si, &#8220;fechando &#8221; o<br />
espaço. Sabemos que isso ocorre na maior parte dos cerrados           nos dias<br />
de hoje quando protegemos o cerrado do fogo. Um aumento da<br />
pluviosidade equivaleria a uma &#8220;proteção&#8221; contra         o fogo.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, no nosso modelo, a fisionomia aberta do cerrado pode ter<br />
aumentado sua predominância nos últimos 3000 anos, mas           isso não<br />
precisa ter afetado a área de distribuição do           cerrado como flora.</font></p>
<hr />
<p align="left">
<font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"></p>
<p><a href="http://web.archive.org/web/20040923220811/http://web.archive.org/web/20040923220811/http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm" name="resp2" _base_href="http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm"></a>2)Resposta de Mário de Vivo:<br />
Realmente, na África existem algumas espécies de mamíferos           de porte<br />
grande vivendo dentro das florestas pluviais equatoriais. Só que           não<br />
é bem assim&#8230;.</font></p>
<p align="left">Continua&#8230;</p>
<p align="left"><span id="more-9"></span><br />
<font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Dentre os grandes mamíferos da floresta temos uma espécie           de elefante<br />
e o búfalo florestal.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No             caso do elefante trata-se de uma espécie distinta daquela           que<br />
habita as savanas. O nome é Loxodonta ciclotys. Esse bicho tem           metade<br />
do tamanho de um elefante de savana, e o tamanho do grupo é de           dois a<br />
três indivíduos, enquanto que os de savana formam grupos           de 10 a 20.<br />
Além disso, o elefante da floresta não vive realmente           nas florestas.<br />
Quando eu e a Ana Paula pesquisamos a biologia desse bicho, nós<br />
descobrimos que esses animais usam as clareiras naturais no interior<br />
da floresta pra fazerem tudo, e utilizam trilhas que ligam uma<br />
clareira à outra. É como se eles tivessem uma &#8220;savana&#8221; incrustrada<br />
dentro da floresta.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Já o búfalo também apresenta o mesmo tipo de           resposta à vegetação.<br />
Enquanto que o búfalo da savana pesa 700 Kg, o búfalo           florestal pesa<br />
300 (o peso de uma anta). Além disso anda em grupos de 3 a 6<br />
indivíduos, enquanto o da savana forma manada de centenas a           milhares.<br />
Finalmente os dois búfalos pertencem a subespécies diferentes<br />
(Syncerus cafer cafer &#8211; savana &#8211; e Syncerus cafer nanus &#8211; o da<br />
floresta. &#8220;Nanus&#8221; vem de &#8220;anão&#8221;.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses animais claramente mostram que os bichos de savana como<br />
elefantes e búfalos não são generalistas de habitat,           ocorrendo<br />
indiferentemente em qualquer vegetação. Cada vegetação           tem o seu<br />
especialista, e os das florestas são sempre menores e formam           bandos<br />
muito menores. Além disso usam espaços abertos dentro           da floresta, ao<br />
invés da floresta propriamente dita.</p>
<p></font></p>
<hr />
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><br />
<a href="http://web.archive.org/web/20040923220811/http://web.archive.org/web/20040923220811/http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm" name="resp3" _base_href="http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm"></a>3)Resposta de Mário de Vivo:</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Havia             e ainda há&#8230; Temos as lhamas nos Andes, a anta&#8230; Existiram<br />
preguiças terrestres de tamanho intermediário entre             a gigante, que<br />
chegava a 3 metros de altura quando em pé, e as nossas pequenas<br />
preguiças atuais. Mas não tínhamos dois tamanhos           de mastodontes ou de<br />
toxodontes (um bicho que lembra um hipopótamo, mas coberto de           pêlos).</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Não dá pra             saber se algum desses animais chegou a explorar ambientes<br />
abertos dentro das florestas. Mas sabemos que a floresta amazônica<br />
teve muitos desses grandes mamíferos&#8230; só que na época           em que eles<br />
existiram lá a floresta estava restrita apenas às áreas           de maior<br />
umidade, e predominavam as vegetações parecidas com as           savanas e<br />
bosques africanos&#8230;</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas             a pergunta que você fez tem razão de ser, porque           ainda nos faltam<br />
muitas informações sobre os nossos grandes mamíferos           desaparecidos (e<br />
algumas dessas informações talvez nunca sejam obtidas).</font></p>
<hr />
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="http://web.archive.org/web/20040923220811/http://web.archive.org/web/20040923220811/http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm" name="resp4" _base_href="http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm"></a>4) Resposta de Mário de Vivo</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">São incompatíveis para as regiões               estudadas. No artigo que eu e a Ana<br />
Paula publicamos nós discutimos amplamente, e acredito que<br />
conseguimos demonstrar que todas as principais previsões da             ação<br />
humana sobre a megafauna não são verificadas.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A hipótese de que os humanos eliminaram os grandes mamíferos           no<br />
continente americano contava com os seguintes aspectos:</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) os humanos teriam             entrado nas Américas pelo estreito de           Bering<br />
(entre a Rússia e o Alaska) há cerca de 12.000 anos.           Quando chegaram<br />
lá, teriam encontrado uma fauna de mamíferos que não           conhecia os<br />
seres humanos e suas tecnologias de caça. Assim, os bichos seriam<br />
presas fáceis para esses novos predadores.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) Ainda segunda éssa hipótese,             os humanos teriam se expandido do<br />
alaska até a Patagônia em 1.000 anos, eliminando todos           os grandes<br />
bichos.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) Finalmente,             o principal defensor dessa hipótese afirmou           que a<br />
razão pela qual os grandes mamíferos não terem           sido eliminados também<br />
na África seria que os humanos evoluíram lá, e           portanto os grandes<br />
bichos e os seres humanos teriam chegado a um equilíbrio adequado.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na nossa opinião isso não foi assim porque mostramos           vários casos em<br />
que os pequenos mamíferos (pequenos ratos, por exemplo) apresentaram<br />
mudanças importantes nas suas distribuições na           América do Sul, e isso<br />
só seria explicável com uma mudança climática.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Além disso apresentamos os resultados de datações           de fósseis de<br />
vários grandes mamíferos (datações realizadas           por outros<br />
pesquisadores) que mostram que os grandes mamíferos existiram           na<br />
Amárica do Sul bem além dos 1000 anos entre a entrada           dos seres<br />
humanos no Alaska e sua chegada à Patagônia.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os mamíferos são &#8220;inocentes&#8221; para com caçadores           apenas durante um<br />
curso espaço de tempo&#8230; Depois de algum tempo de caça           eles aprendem<br />
a evitar os humanos. É isso o que os grandes mamíferos           africanos<br />
fazem. Eles não possuem outras adaptações especiais           que evitem serem<br />
caçados por humanos. Então, se os seres humanos co-existiram           com os<br />
grandes mamíferos na América do Sul por pelo menos 6.000           anos (que é<br />
o que as datações que apresentamos indicam), então           nesses 6000 anos<br />
os mamíferos teriam certamente aprendido a evitar os humanos           assim<br />
como fazem na África dos dias de hoje.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Além disso existem pouquíssimas evidências arqueológicas           de grandes<br />
mamíferos caçados por humanos na América do Sul,           o que é o contrário<br />
do que acontece na Eurásia, onde tais evidências são           abundantes.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso não quer dizer que nós             descartamos algum papel para os humanos.<br />
Eles podem ter eliminado algumas pequenas populações           isoladas de<br />
grandes mamíferos, mas a causa principal continuaria sendo climática,<br />
não a ação humana.</font></p>
<hr />
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="http://web.archive.org/web/20040923220811/http://web.archive.org/web/20040923220811/http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm" name="resp5" _base_href="http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm"></a>5)Resposta             de Mário de Vivo</p>
<p>O             artigo se chama &#8220;Holocene vegetation change and           the mammal faunas<br />
of South<br />
America and Africa&#8221;, e foi publicado no número 31, do ano           de 2004, da<br />
revista científica inglesa &#8220;Journal of Biogeography&#8221;.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto             a outros autores terem hipóteses sobre as mudanças           faunísticas,<br />
sim&#8230; outros autores propuseram muitas hipóteses. Alguns deles           acham<br />
que<br />
foram os humanos que &#8220;super-caçaram&#8221; os animais. Outros           acham que foi<br />
uma<br />
&#8221;           super-doença&#8221; que teria extinguido os bichos. Eu não           acredito em nada<br />
&#8221;           super&#8221;, mas somente no prosseguimento dos ciclos planetários<br />
normais, que<br />
incluem as mudanças climáticas e seus efeitos sobre a           vegetação.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outros autores concordam comigo e com a Ana Paula, e defendem o papel<br />
das<br />
mudanças climáticas nas extinções. Mas           eu acho que no nosso trabalho<br />
nós<br />
fomos capazes de atacar decisivamente as hipóteses competidoras<br />
(particularmente a da super-caça). Além disso o nosso           modelo propõe um<br />
modelo sobre como a vegetação muda com as alterações           no clima. Os<br />
outros<br />
autores só falavam em &#8220;mudanças climáticas&#8221;,           mas nós mostramos como<br />
ela pode<br />
ter realmente acontecido. Finalmente nós fizemos isso para a África<br />
também,<br />
enquanto a maioria dos autores se precupa com &#8220;um continente de           cada<br />
vez&#8221;.<br />
Deste modo pudemos encontrar um evento único, em escala planetária,<br />
que<br />
explica tanto a extinção na América do Sul dos           grandes bichos como<br />
também a<br />
sobrevivência deles na África.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acho que             isso foi o mais legal do nosso trabalho. Escrevê-lo           foi muito<br />
legal. Deu muito trabalho mas foi fascinante ver como os dados e a<br />
hipótese<br />
iam se encaixando&#8230; No fundo é esse sentimento que faz com           que os<br />
cientistas gostem do que fazem. Quando a gente &#8220;marca um gol&#8221; legal<br />
(publicar um trabalho bonito) não tem sentimento mais rico!<br />
</font></p>
<hr />
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="http://web.archive.org/web/20040923220811/http://web.archive.org/web/20040923220811/http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm" name="resp6" _base_href="http://www.ciencialist.hpg.ig.com.br/debates/megafauna.htm"></a>6) Resposta de Mário de Vivo:        </font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bom             são duas perguntas, mas com desdobramentos.         Vamos por partes.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1)             O modelo proposto não se aplica ao estudo dos climas passados           e<br />
presentes. Ao contrário, nós usamos uma versão           simplificada do modelo<br />
climático para o final do Pleistoceno e para o Holoceno para<br />
construir a<br />
proposta de como as mudanças climáticas afeteriam a vegetação,           e daí<br />
como<br />
essas mudanças de vegetação afetariam os mamíferos.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um             climatologista acharia a nossa reconstrução climática &#8220;ingênua&#8221;,<br />
porque<br />
os modelos climáticos são muito mais sofisticados do           que o que<br />
utilizamos.<br />
Em compensação um climatologista não saberia o           que fazer com as<br />
informações<br />
sobre a vegetação e os animais.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nosso             modelo não serve para &#8220;previsões&#8221; sobre           climas passados ou<br />
presentes<br />
(ou mesmo futuros). Quem faz isso são os climatologistas. Nós           só nos<br />
utilizamos das previsões e análises deles. Quem pode           fazer um &#8220;alerta&#8221;<br />
específico sobre clima são eles, mas os biólogos           certamente detectam<br />
os<br />
efeitos que as mudanças climáticas do passado tiveram           sobre as faunas<br />
e<br />
floras, e isso eles não conseguem fazer.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O         quê aprendemos?</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aprendemos             que as alterações das paisagens efetuadas           pelas mudanças<br />
climáticas são importantíssimas. Elas são           capazes de alterar<br />
dramaticamente<br />
a composição das comunidades&#8230; os palinólogos           (estudiosos das<br />
camadas de<br />
pólen depositadas ao longo do tempo no fundo de lagos e outros           lugares<br />
similares) detectaram plantas de clima Andino no meio da Amazônia           há<br />
mais de<br />
12.000 anos atrás&#8230; pequenos roedores que hoje só existem           na floresta<br />
atlântica foram detectados como sub-fósseis em cavernas           hoje situadas<br />
no<br />
Cerrado&#8230; Ou seja, aquela noção de estabilidade dos           ecossistemas está<br />
completamente modificada.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hoje             sabemos que os ecossistemas permanecem &#8220;como estão&#8221; (na           verdade<br />
como os<br />
vemos nos dias atuais) apenas por períodos relativamente curtos,<br />
provavelmente de uns poucos milhares de anos. Isso parece muito para<br />
nós,<br />
humanos, mas é pouquíssimo em relação ao           tempo evolutivo.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando             eu penso que a cidade de São Paulo praticamente perdeu           a garoa<br />
e as<br />
neblinas matinais de inverno, eu vejo a mudança climática<br />
acontecendo. Essa<br />
é provavelmente de origem humana.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas             todos os pesquisadores que trabalham na minha área sabem           que a<br />
próxima<br />
glaciação virá, que ela é impossível           de ser detida (embora os efeitos<br />
possam<br />
ser atenuados) e que quando ela vier o planeta será muito diferente<br />
do que é<br />
hoje. Não será como no filme &#8220;O Dia Depois de Amanhã&#8221;,           em que tudo<br />
aconteceu<br />
em uma semana, mas uma glaciação se instala em cerca           de vinte a<br />
trinta anos.<br />
Muito antes dela estar instalada as regiões de agricultura sofrerão<br />
imensamente e haverá claramente uma quebra da produtividade           geral. As<br />
mudanças políticas que advirão, em decorrência           da pressão de massas de<br />
humanos que não terão acesso a alimentos, será muito           grande, e duvido<br />
que<br />
algum sociólogo dos dias de hoje será capaz de prever           o que irá<br />
acontecer.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O             Pentágono publicou um artigo em que eles analisam a mudança<br />
climática<br />
futura e que atitudes o governo dos EUA deverá adotar para             se<br />
protegerem dos<br />
efeitos. É uma leitura interessante e eu posso enviar o pdf           desse<br />
artigo pra<br />
vocês (está em inglês, e eu o baixei do site do           Pentágono).</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2)         Que tipo de teste poderá ser feito?</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">a)             se tivermos muito coleta de fósseis quaternários           com datação (isto<br />
é ,<br />
desde 1.600.000 anos atrás até o presente, deveremos           (caso o nosso<br />
modelo<br />
seja correto) verificar que a grande fauna vai desaparecendo aos<br />
poucos.<br />
Isso porque ocorreram cerca de 20 glaciações nesse período           de tempo,<br />
junto<br />
com os períodos interglaciais entre elas. Assim, o mesmo mecanismo           que<br />
descrevemos para o final do Pleistoceno-Holoceno (de 12.000 anos<br />
atrás para<br />
o presente) deve ter se repetido (com maior ou menor intensidade,<br />
dependendo<br />
da intensidade dos glaciais e dos interglaciais).</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim,             se os mamíferos que existiam há 1.600.000 anos           atrás<br />
desapareceram<br />
gradualmente até o número que existe hoje essa será a única<br />
explicação que<br />
baterá com os dados.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nosso             problema é que os paleontólogos em geral NÃO           DATAM os seus<br />
fósseis, e<br />
existem pouquíssimas datações disponíveis.           Quando um paleontólogo dia<br />
que o<br />
material é &#8220;pleistocênico&#8221; ele está dizendo           que tem entre 1.600.000 e<br />
12.000<br />
anos de idade, e isso não serve como data&#8230; As datações           limitam a<br />
idade de<br />
um fóssil para alguns poucos milhares de anos pra mais ou pra           menos.</font></p>
<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Não é que os paleontólogos sejam &#8220;preguiçosos&#8221;&#8230; é que           datações são<br />
caras e<br />
não eram feitas no Brasil até pouquíssimo tempo           atrás. Aliás,<br />
suspeito que<br />
ainda não sejam feitas. Se não me engano o material tem           que ser<br />
enviado pra<br />
laboratórios do exterior.<br />
</font></p>
<p align="left">&nbsp;</p>
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		<title>Nathan Berkovits &#8211; Teoria das Supercordas</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Feb 2007 21:37:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>administrador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Convidados]]></category>

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		<description><![CDATA[Nathan Berkovits foi convidado pela Ciencialist para debater sobre Teoria das Supercodas. O resultado da conversa está disponível em http://www.gluon.com.br/blog/2006/03/30/supercordas-nathan/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nathan Berkovits foi convidado pela Ciencialist para debater sobre Teoria das Supercodas.</p>
<p>O resultado da conversa está disponível em<br />
<strong><a href="http://www.gluon.com.br/blog/2006/03/30/supercordas-nathan/">http://www.gluon.com.br/blog/2006/03/30/supercordas-nathan/</a></strong></p>
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